PF fez perícia em celular que teria recebido tema da redação do Enem. Delegado diz que foto compartilhada antes da prova é verídica.
O delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Superintendência
da Polícia Federal (PF) no Piauí, Alexandre Uchôa, afirmou que houve o
vazamento do tema da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) de 2015. Segundo o delegado, a foto que um estudante piauiense
recebeu horas antes da prova é verídica. O estudante gravou um vídeo
mostrando o envelope que os candidatos recebem para guardar o celular
lacrado após ter feito a prova. Ao abrir e ligar o aparelho, ele mostrou
a imagem da página com o tema da redação sobre "Publicidade infantil no
Brasil".
“Houve mesmo a questão da foto, ela é verídica, mas não sabemos de onde
partiu e como vazou. A investigação está em curso e somente no final
deste levantamento teremos estas informações”, declarou.
O delegado acrescentou que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, ainda não
foi comunicado oficialmente sobre o andamento das investigações.Segundo
ele, a instituição receberá o relatório do levantamento somente após a
conclusão do inquérito.
A PF enviou uma nota se posicionando oficialmente sobre o caso. “A
Polícia Federal confirma que recebeu, por meio de denúncia, informações
indicando o tema da redação para a prova do Enem. No entanto ainda se
está investigando a situação em que o dado foi veiculado e quais seriam
as circunstâncias e motivos que teriam levado a sua veiculação. A
investigação corre em sigilo e visa a identificar os titulares da
mensagem enviada ao telefone do denunciante", diz o comunicado.
Procurado pelo G1, o Inep informou que não tem
confirmação da Polícia Federal sobre o encerramento das investigações
relativas à denúncia de vazamento do tema da redação do Enem 2014. O
Inep disse que tem trabalhado com a PF desde o início das investigações e
qualquer candidato que tenha sido indevidamente beneficiado será punido
de acordo com o edital.
Entenda o caso
A Polícia Federal abriu um inquérito policial para apurar a denuncia de
que um estudante do Piauí teria recebido uma foto com tema da redação
pelo aplicativo Whatsapp às 10h47 no dia 9 de novembro, ou seja, uma
hora e 13 minutos antes do início da prova no horário local.
Antes de denunciar o caso, o estudante decidiu gravar um vídeo
relatando ocorrido e compartilhá-lo na internet. No entanto, após
começar a ser xingado pelas redes sociais pelo fato de ter exposto a
suposta fraude, resolveu procurar a Polícia Federal e formalizar a
denúncia. O aparelho do jovem foi apreendido para a realização de uma
perícia.
Segundo o advogado do jovem, Luiz Henrique, o rapaz chegou a ser
ameaçado após formalizar a denúncia na Polícia Federal. Logo após a
formalização da denúncia, outros estudantes também afirmaram que
receberam a mesma imagem.
No dia 13 de novembro, estudantes do Ceará também afirmaram terem recebido a imagem do vazamento da prova.
O ministro da Educação, José Henrique Paim, disse que o MEC está
"seguro de que o processo está sendo muito bem conduzido e ao longo
desse período todo de aplicação da prova, não tivemos nenhum problema."
Paim afirmou que é preciso ter uma condução correta sobre o assunto. "A
PF é a instituição que deve fazer esse processo. Ele já abriu o
inquérito e está identificando o que ocorreu e em breve vamos ter o
resultado dessa investigação."
No dia 14 de novembro, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), José Francisco Soares,
descartou o cancelamento do Enem 2014 por causa de fraudes e suposto
vazamento. "Está completamente fora de cogitação", disse. "Não há nada que nos leve a essa direção'', afirmou.
Segundo ele, o Inep decidirá os procedimentos quanto ao suposto
vazamento após o fim da investigação da Polícia Federal do Piauí. ''No
nosso caso temos de esperar essa investigação para, então, procedermos a
ação [...]. O Enem não será cancelado. Estamos aqui diante de um fato
completamente isolado que a policia está investigando [...]. A isonomia
será garantida a partir das informações que a polícia nos fornecer. É
perfeitamente possível encontrar maneiras de restaurar uma isonomia em
um evento localizado'', disse Soares, na época.
Vazamento na edição 2011
Em 2011, uma escola privada de Fortaleza teve acesso antecipado a 16 questões do Enem,
que foram compartilhadas entre os alunos. Os candidatos que tiveram
acesso prévio tiveram as provas anuladas e refizeram o Enem. Na época, o
Ministério Público Federal chegou a pedir a anulação da prova, mas a Justiça não deu decisão favorável ao procurador Oscar Costa Filho.
Fonte: G1-Pi

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